Os treze filmes da minha vida - parte 2
- 7 de mar.
- 5 min de leitura
Atualizado: 12 de mar.
Existem filmes que passam por nós… e outros que ficam para sempre. Aqueles que nos marcam, despertam algo e ajudam a moldar nossa relação com o medo, o sagrado, a solidão e até com o destino. Esta é a continuação da relação de meus filmes favoritos, sejam muito bem-vindos.


7 - SINAIS (2002):
O confronto com o desconhecido e a inquietante sensação de que não estamos sozinhos no universo.
Sinais é um filme com múltiplas camadas; aliás, como a maioria dos filmes de M. Night Shyamalan costuma ser, nos apresenta um drama familiar; o padre Graham Hess (Gibson), que vive com seus filhos e o irmão em uma fazenda, revoltado com a morte de sua esposa, perde completamente a fé em Deus e no mundo. No entanto, forças além da compreensão humana são ativadas quando criaturas de outro mundo passam a rondar a casa dele, colocando em risco a segurança de sua família.

8 - Drácula de Bram Stoker (1992):
Uma joia rara e muito bem lapidada do cinema clássico de terror, a expressão máxima dos filmes de vampiro. Embora seja criticado por incluir o romantismo na história de Stoker, Drácula de 1992, dirigido por Francis Ford Coppola, é ainda o filme que mais se aproxima do enredo original do livro. As atuações são magistrais: o elenco simplesmente brilha.
Sou apaixonado pelas produções que deram vida ao Rei dos vampiros, desde Drácula de 1931 com Bela Lugosi até os produzidos pela Hammer com o icônico Christopher Lee.
Drácula de Bram Stoker é uma experiência sensorial que poucos filmes conseguiram repetir. Enquanto as versões clássicas da Universal e da Hammer focavam no magnetismo teatral ou no terror gótico vibrante, Coppola trouxe uma camada de romantismo cinematográfico. É, em essência, uma verdadeira carta de amor às origens do cinema.
Embora o "romantismo através dos séculos" seja uma adição ao material original (no livro de Stoker, o conde é uma força puramente predatória), essa nuance humaniza o monstro sem jamais diluir sua periculosidade. Além disso, a estrutura narrativa baseada em diários, cartas e no fonógrafo do Dr. Seward é, até hoje, a que melhor respeita o estilo epistolar imortalizado por Stoker.
No campo das atuações, Gary Oldman entrega uma performance camaleônica, transitando com maestria entre o aristocrata decrépito da Transilvânia e o nobre sedutor em Londres. Já Anthony Hopkins nos apresenta um Van Helsing tão excêntrico quanto o próprio vampiro, criando o contraponto perfeito.
Para quem aprecia o cinema de atmosfera, o filme de 1992 é o ápice. Ele não depende de sustos fáceis; ele se sustenta em uma tensão constante, figurinos que são verdadeiras obras de arte e um visual arrebatador.

9 — Nosferatu (1922):
O horror do expressionismo alemão em sua maior manifestação.
Assisti a esse clássico pela primeira vez na TV Cultura e, embora legendado, afinal trata-se de uma obra do cinema mudo, as poucas legendas eram dubladas.
Nosferatu é uma experiência visual assustadora. Suas imagens, com nuances sombrias e perturbadoras, e o visual apavorante do vampiro, na minha opinião, o mais assustador de todos os tempos, formam uma imersão no lado mais denso e sombrio do cinema gótico e de terror.
Max Schreck criou algo que foge do arquétipo do sedutor que discutimos no filme de Coppola; ele é a peste, a decomposição. É interessante notar como, mesmo sem uma única linha de diálogo falada, a presença física dele comunica mais terror do que muitos filmes modernos com efeitos digitais.
Uma verdadeira sinfonia do horror.
Nosferatu não precisa de palavras; a silhueta dele subindo as escadas é uma aula de como o cinema pode ser aterrorizante apenas com luz e sombra.

10 - A Noiva de Frankenstein (1935):
A tragédia eterna entre criador e criatura.
Outra preciosidade do terror clássico. Incluí esse filme como representante da era de ouro da Universal, o chamado Universal Monsters.
É o segundo da série Frankenstein com Boris Karloff no icônico papel do monstro, aliás, quando pensamos em Frankenstein, é essa imagem que imediatamente nos vem à mente.
Os filmes da Universal não seguiram fielmente o romance de Mary Shelley, mas sim uma adaptação teatral, o mesmo aconteceu com Drácula de Bela Lugosi. Ainda assim, trata-se de uma das grandes joias do cinema clássico de terror.

11 - O Monstro do Himalaia (1957):
Já perdi a conta de quantas vezes assisti a esse filme, estrelado pelo saudoso Peter Cushing, um dos grandes ícones do cinema de terror.
O filme acompanha o cientista britânico Dr. John Rollason (Cushing), que se junta a uma expedição americana liderada pelo ambicioso Tom Friend ( interpretado por Forrest Tucker) para procurar o lendário Yeti, o abominável homem-das-neves.
The Abominable Snowman (1957) é uma verdadeira relíquia, uma produção primorosa da produtora inglesa Hammer. Um filme muitas vezes subestimado pela mídia, mas que merece ser descoberto por todos que amam o cinema fantástico.

12 - A Maldição do Lobisomem (1961):
Também produzido pela Hammer, esse filme me impressionou logo cedo. A primeira vez que o assisti, eu devia ter uns nove anos, e a cena em que um garoto de oito anos se transforma em lobisomem, enquanto seu pai coloca grades na janela para que ele não escape, marcou profundamente minha memória.
A história gira em torno de uma criança indesejada, nascida na noite de Natal, sobre a qual recai uma terrível maldição. Criado por Don Alfredo (Clifford Evans), o jovem Leon (interpretado na fase adulta por Oliver Reed) passa a sofrer transformações com a chegada da lua cheia.
Somente o amor verdadeiro e a compreensão podem salvá-lo de seu terrível destino.

13 - A Máscara de Satã (1960):
A beleza plástica e sombria do gótico italiano retratada em uma história de horror, feitiçaria e morte.
Bruxas queimadas nas fogueiras da Inquisição; mortos que ressuscitam de suas tumbas frias; um imponente castelo gótico com passagens secretas e portas rangendo em sons tétricos; névoas fantasmagóricas; os ruídos assustadores dos ventos gelados da noite; cemitérios e criptas abandonadas consumidas pela ação devastadora do tempo…
A tudo isso soma-se o talento do cineasta italiano Mario Bava e a presença hipnotizante da atriz inglesa Barbara Steele, uma das grandes “rainhas do grito” do cinema fantástico.
O resultado é um clássico absoluto do horror gótico europeu, fotografado em um deslumbrante preto e branco, que permanece até hoje como uma das obras mais belas e inquietantes do gênero.
Minhas considerações finais
Essa pequena lista de treze filmes não pretende, de forma alguma, estabelecer um ranking definitivo ou esgotar o universo do cinema fantástico e de terror. Trata-se apenas de um recorte muito pessoal, formado por obras que, em diferentes momentos da vida, me marcaram profundamente.
Cada um desses filmes carrega algo especial: seja a atmosfera gótica do horror clássico, o fascínio pelo desconhecido, as criaturas lendárias que habitam nosso imaginário ou mesmo os dramas humanos escondidos por trás de histórias sobrenaturais. O cinema fantástico sempre foi, mais do que simples entretenimento, uma forma de explorar nossos medos, nossas dúvidas e os mistérios que cercam a existência.
Revisitar essas obras é também revisitar memórias: tardes diante da televisão, madrugadas assistindo a clássicos antigos, descobertas inesperadas e aquela sensação única de entrar em mundos estranhos e fascinantes.
Certamente muitos outros títulos poderiam estar aqui , e talvez estejam em uma futura lista. Afinal, o grande prazer do cinema é justamente esse: descobrir, redescobrir e compartilhar histórias que continuam a nos assombrar, encantar e inspirar através das décadas.
Porque, no fim das contas, os grandes filmes de terror e fantasia nunca envelhecem. Eles apenas aguardam, silenciosamente, na escuridão… até que alguém decida acender novamente a tela.
E você, o que acha?
Se você gostou da lista, curta a publicação e deixe seu comentário. Você já conhecia todos esses filmes? Já assistiu a algum deles? Existe algum que marcou você de maneira especial?
O universo do cinema fantástico e de terror é vasto e repleto de obras memoráveis, e sempre há títulos que acabam ficando de fora quando tentamos reunir apenas alguns. Por isso, sua opinião é muito bem-vinda: indique também outros filmes que, na sua visão, mereceriam estar em uma lista como esta.
Compartilhe o texto com outros apaixonados por cinema e ajude a manter viva a discussão sobre essas obras que atravessam décadas e continuam fascinando novas gerações.
Até breve,
Alexandre Menphis.




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